segunda-feira, 24 de junho de 2019

Análise Histórica de "A Conquista da Honra"

 

A Conquista da Honra - A Verdade sobre a Bandeira de Iwo Jima

 
 
A Conquista da Honra é um filme americano de 2006, dirigido pelo excelentíssimo Clint Eastwood e estrelado por Ryan Phillippe, Jesse Bradford e Adam Beach. O filme conta a verdadeira história dos seis fuzileiros americanos que fincaram a bandeira americana no topo do monte Suribachi, em Iwo Jima, e se tornaram heróis pela famosa foto que foi tirada no momento do ato. O filme é fantástico, pois fica uma hora contando como foi a luta para esses homens em Iwo Jima e depois fica mostrando o retorno deles para os EUA como heróis de uma guerra quase acabada e que ninguém mais dava bola. O filme também mostra as dificuldades que esses homens tiveram quando a guerra terminou e o que aconteceu com cada um deles nos anos seguintes. As cenas de guerra são brutais e realistas e a atuação muito boa. A música não é das melhores, mas combina bem com a temática. Recomendável para quem viu Cartas de Iwo Jima ou quem gosta de filmes de Segunda Guerra.
 
 
 

Quem foi Ira Hayes?

 
Ira Hayes (1923-1955) foi um nativo americano que lutou com os Fuzileiros Navais durante a Segunda Guerra Mundial contra o Japão e foi um dos seis homens que ergueram a bandeira americana em Iwo Jima. Em 1942, Ira entrou no Corpo de Fuzileiros Navais Americano e serviu em várias campanhas difíceis contra os japoneses. Iwo Jima seria sua última batalha. Depois da guerra, foi condecorado como um herói e ajudou a identificar os homens que realmente colocaram a bandeira junto com ele, mas que morreram em Iwo Jima. Porém, Ira nunca gostou de ser tratado como um herói e desistiu de fazer campanhas pós-guerra. Acabou se viciando em bebidas alcóolicas. Faleceu por intoxicação alcóolica em 1955, aos 32 anos.
 
 
 
 

Quem foi Rene Gagnon?

 
Rene Gagnon (1925-1979) foi um fuzileiro naval americano e um dos seis homens a erguer a bandeira americana em Iwo Jima. Gagnon se juntou aos Fuzileiros Navais em 1943, mas sua única luta foi em Iwo Jima, em 1945. Junto com Ira Hayes, Gagnon e uma tropa de fuzileiros alcançou o topo do monte Suribachi e plantou a primeira bandeira. Duas horas depois, acabou plantando a segunda bandeira que o deixou famoso. Após a guerra, Gagnon se tornou um herói nacional e ajudou a fazer campanhas pós-guerra por todo os EUA. Depois de sair dos fuzileiros, Gagnon foi trabalhar como representante de negócios da companhia aérea Delta e durante uma viagem para o Japão em 1965, decidiu visitar Iwo Jima. Foi o único fuzileiro a fazer tal viagem. Em 1979, morreu de causas naturais em Manchester, New Hampshire.
 
 
 

 

Quem foi John Bradley?

 

John Bradley (1923-1994) foi um médico da marinha americana e um dos seis homens a colocar a segunda bandeira americana no Monte Suribachi. Conhecido como "Doc", John serviu ao lado de Ira e Rene durante metade da Batalha de Iwo Jima. Salvou a vida de vários fuzileiros e presenciou a carnificina da luta contra o Japão. Em 14 de Março, foi ferido por estilharços vindos de um morteiro japonês e acabou sendo retirado da batalha. Foi tratado num hospital em Guam e mandado de volta para os EUA, onde foi recebido como um herói nacional e ajudou a fazer algumas campanhas pós-guerra. Depois da guerra, foi dispensado da marinha e retornou para sua cidade natal no Wisconsin. Pelo resto da vida foi dono da funerária da cidade, mas sofreu com pesadelos da luta em Iwo Jima e da perda de seu melhor amigo Iggy, que foi capturado e brutalmente torturado e morto pelos japoneses. Morreu de ataque cardíaco em 1994, aos 70 anos de idade.
 
 
 
 

O Campo de Treinamento "Tarawa"

 
Após a brutal e sangrenta Batalha de Tarawa em 1943, os fuzileiros da Segunda Divisão foram mandados para a Ilha Maior do Havaí numa área vulcânica e semi-árida, mas que fica bem fria durante a noite, para descansar e se preparar para as próximas lutas. Por falta de logítica, foram os próprios e exaustos fuzileiros que construíram o acampamento. A vida era meio entediante, mas boa, pois muitos odiavam as selvas infestadas de malária do Pacífico, onde tinham que lutar contra um inimigo que não se rendia. Em 1945, a Quinta Divisão dos Fuzileiros foi enviada para esse acampamento e treinada para a eventual Batalha de Iwo Jima. Em Novembro de 1945, o acampamento foi desativado. Em 1950, um novo acampamento acabou sendo estabelecido nas proximidades do original e funcionando até hoje em serviço do Exército Americano.
 
 
 
 

Quem Foi Mike Strank?

 
Michael Strank (1919-1945) foi um fuzileiro americano que lutou em Iwo Jima e um dos seis homens a colocar a bandeira no Monte Suribachi. Antes de Iwo Jima, Strank participou de algumas campanhas no Pacífico Sul ao lado do amigo Ira Hayes, antes de ser despachado à Iwo Jima, em 1945. Lá, Strank ajudou na captura do Monte Suribachi e plantou as duas bandeiras no monte. Dias depois, Strank acabou sendo morto por fogo amigo quando atacava uma posição japonesa. Foi o primeiro homem do grupo da bandeira a morrer. Outros dois membros também pereceriam na batalha.
 
 
 
 

Os LVTs em 1945

 

Os principais veículos anfíbios da guerra contra o Japão, os LVTs eram rápidos e fáceis de manobrar. O modelo usado em Iwo Jima, possuía uma blindagem mais pesada e carregava armas como metralhadoras leves e pesadas e até mesmo canhões de 57mm. Podia carregar mais de 30 homens, jipes e até canhões pesados de artilharia. Assim  mesmo, centenas dessas unidades anfíbias seriam destruídas pela artilharia pesada japonesa e também teriam problemas de locomoção por causa do terreno arenoso que dominava a ilha.
 
 
 
 

Quem Foi Ralph "Iggy" Ignatowski?

 
 
Ralph "Iggy" Ignatowski (1926-1945) foi um fuzileiro americano que lutou e morreu durante a Batalha de Iwo Jima. Grande amigo de John Bradley, sempre andavam juntos e ajudavam o máximo possível seus amigos durante a brutal batalha pela ilha. Escalou o Monte Suribachi junto com os fuzileiros que colocaram a bandeira. No dia 4 de Março, Iggy e um sargento da companhia foram capturados por uma patrulha japonesa e levados para uma caverna próxima do Morro 215, zona norte da ilha. Por três dias, Iggy e o sargento foram sendo torturados e mutilados pelos soldados japoneses. No dia 7 de Março, a unidade de Iggy encontrou seu corpo e o do sargento totalmente destruídos e quase irreconhecíveis. A morte de Iggy traumatizou John Bradley por quase toda a sua vida.
 
 
 
 

 

Quem Foi Hank Hansen?

 
Henry Oliver Hansen (1919-1945) foi um fuzileiro paraquedista americano que lutou e morreu em Iwo Jima. Conhecido como Hank pelos amigos, ele já era um veterano da Guerra do Pacífico e Iwo Jima seria sua última luta. Capturou o Monte Suribachi com os outros homens analisados aqui e ajudou a plantar a primeira bandeira no monte. Acabou morrendo em 1 de Março na luta contra os japoneses no norte da ilha.
 
 
 
 

A Polêmica Foto da Bandeira

 
No dia 23 de Fevereiro de 1945, após um brutal desembarque numa ilha fortaleza, os americanos capturavam o ponto mais alto e crucial da ilha, o Monte Suribachi. A escalada foi rápida e a resistência inimiga leve. Chegando ao topo, os fuzileiros encontraram algumas barras de ferro e colocaram uma pequena bandeira da companhia numa das barras de ferro. Um fotógrafo que acompanhava a tropa tirou a foto dessa primeira bandeira. Todas as forças americanas concentradas na ilha comemoravam essa importante captura. Na praia de desembarque, o secretário da marinha, James Forrestal, ordenou a retirada da bandeira, pois, ele a queria em seu escritório particular como um troféu. Essa decisão deixou os americanos irritados, mas ordens eram ordens. Uma segunda tropa subiu o monte, baixou a primeira bandeira e colocou uma bandeira maior no monte. O momento da colocação da bandeira (vide a imagem acima) foi registrada por um segundo fotógrafo e seria essa foto e não a primeira que se tornaria o símbolo da vitória americana no Pacífico. Após a guerra, o governo americano manteria a foto da primeira bandeira escondida, mas depois a soltaria para o público reagir a essa foto que quase ficou esquecida na História (vide a imagem abaixo).
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Quem Foi James Forrestal?

 
James Forrestal (1892-1949) foi o Secretário da Marinha Americana e logo depois o primeiro Secretário de Defesa dos EUA. Responsável em administrar a distribuição de recursos para as forças navais americanas, James Forrestal adorava assistir as batalhas de perto e sempre acompanhou o avanço americano pelo Pacífico. Foi em Iwo Jima onde Forrestal ordenou que a primeira bandeira fosse transformada em uma lembrança daquela batalha em seu escritório particular. Após a guerra, o presidente Truman promoveu Forrestal para Secretário de Defesa em 1947. Porém, nunca conseguiu cumprir sua agenda, que era impedir o avanço soviético pelo mundo, por sérios problemas de saúde. Em 1949, pediu demissão do cargo e foi se tratar. Nesse mesmo ano foi encontrado morto pendurado numa escadaria do hospital onde estava se tratando. A polícia declarou que ele havia cometido suicídio. Até hoje existem teorias conspiratórias que Forrestal fora assassinado por ter tido envolvimento no Incidente de Roswell em 1947 e que planejava falar a verdade para o público sobre tal caso (mas isso é outra história).
 
 
 
 
 
 

Quem Foi Harlon Block?

 
Harlon Henry Block (1924-1945) foi um fuzileiro americano que lutou e morreu na Batalha de Iwo Jima. Foi também um dos seis homens a plantar a bandeira americana no topo do Monte Suribachi. Foi o segundo homem do grupo da bandeira à morrer em Iwo Jima. Foi morto por um morteiro japonês no norte da ilha.
 
 
 
 

Quem Foi Franklin Sousley?

 
Franklin Sousley (1925-1945) foi um fuzileiro americano que lutou e morreu na Batalha de Iwo Jima. Foi um dos seis homens a colocar a famosa bandeira no topo do Monte Suribachi. Foi o último homem do grupo da bandeira a ser morto na batalha. No dia 21 de Março, quando a luta estava finalmente chegando ao fim, Sousley acabou sendo morto por um atirador japonês enquanto patrulhava, com sua unidade, uma estrada no norte da ilha.
 
 
 

Quem Foi Joe Rosenthal?

 

Joe Rosenthal (1911-2006) foi um fotógrafo e correspondente de guerra. Em 1943, Joe foi despachado para seguir as tropas americanas no Norte da África. Depois do fim da campanha, em 1944, Joe foi enviado para o Pacífico onde acompanhou os fuzileiros americanos e presenciou as batalhas sangrentas contra o Japão. Em 1945, Joe desembarcou em Iwo Jima, dias após o início da batalha e foi enviado, junto com outros correspondentes para o Monte Suribachi. Lá no topo, Joe foi o homem que tirou a famosa foto da bandeira americana e conheceu brevemente os homens que a colocaram. De volta aos EUA, Joe recebeu o Prêmio Pulitzer por melhor foto de 1945. Mesmo se tornando um homem famoso, Joe continuou a ser fotógrafo por mais 35 anos até se aposentar em 1981. Em 2006, Joe faleceu de causas naturais num asilo para idosos na Califórnia.
 
 
 
 

Quem Foi Alexander Vandergrift?

 
Alexander Vandergrift (1887-1973) foi um general-fuzileiro e comandante-chefe do Corpo de Fuzileiros Navais americano. Em 1942, Alexander liderou a quase desastrosa Campanha de Guadalcanal e obteve para os EUA a primeira grande vitória terrestre contra os japoneses. No anos de 1943, ele continuaria a liderar seus homens pelo resto das Ilhas Salomão até finalmente alcançar o posto de general quatro-estrelas e retornar para os EUA, onde comandaria todo o Corpo de Fuzileiros até o final da guerra. Em 1949, Vandergrift se aposentou do comando dos fuzileiros e escreveu um livro sobre suas batalhas em 1964. Em 1973, Vandergrift acabou ficando doente e morreu num hospital em Maryland.
 
 
 
 

Bibliografia:



 





 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Análise Histórica de "Tora! Tora! Tora!"

 

Tora! Tora! Tora! - O Melhor Filme sobre Pearl Harbor

 
Tora! Tora! Tora! é um filme americano/japonês de 1970, dirigido por três diretores (Richard Fleischer, Kinji Fukasaku e Toshio Masuda) e estrelado por Martin Balsam, Sô Yamamura, Tatsuya Mihashi e Jason Robards. O filme explica toda a operação japonesa contra a base naval americana de Pearl Harbor e também os eventos políticos que levaram Japão e EUA a entrar na Segunda Guerra, um contra o outro. O filme é um clássico e fenomenal até hoje. O elenco é gigantesco e as atuações são tão bem feitas que parece que realmente está acontecendo em tempo real. Os efeitos especiais podem ser obsoletos, mas não estragam em nada os detalhes mostrados no filme. O ataque contra Pearl Harbor é um dos momentos mais realistas da História do Cinema e você fica surpreso pelos mínimos detalhes que foram colocados nele. Filme obrigatório e essencial. Veja imediatamente!
 
 
 
 

O Pacto Tripartite - A Criação do Eixo

 
Em 27 de setembro de 1940, em Berlim, na Alemanha, os representantes da Alemanha, Itália, Japão e das nações fascistas dos Balcãs assinaram um enorme acordo político-militar com o intuito de dividir o mundo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em zonas de influência e de estabelecer um grupo unido e forte para enfrentar qualquer ameaça, que nesse época eram os aliados e soviéticos. Assim, nascia o Eixo. Esse acordo ficou conhecido como o Pacto Tripartite, três governos fascistas governados por partidos nacionalistas extremistas que lutavam pela mesma causa, a aniquilação dos Aliados e Soviéticos e a conquista de todo o mundo. Caso um membro do pacto fosse agredido por uma nação neutra ou declarasse guerra contra tal nação, os outros membros do pacto iriam apoia-la até o fim do conflito.
 
 
 
 

Isoroku Yamamoto - A Brilhante Mente por Trás do Ataque contra Pearl Harbor

 
Isoroku Yamamoto (1884-1943) foi um almirante japonês que comandou toda a marinha japonesa até a sua morte. Após se formar na academia naval, Yamamoto participou de várias missões diplomáticas na Europa e nos EUA e viu a importância do avião como uma arma de guerra decisiva. Voltando para o Japão, Yamamoto introduziu novas táticas para o uso do avião nas forças navais japonesas, um marco revolucionário para a guerra naval. Quando uma guerra iminente contra os EUA aparecia no horizonte, em 1941, Yamamoto reuniu os melhores líderes militares do Japão para bolar um plano que pudesse aniquilar os americanos antes do conflito começar para valer. Todo o plano de ataque contra Pearl Harbor foi de sua autoria, mas quando executado, não seguiu como deveria ter sido feito. Aproveitando essa derrota inicial, Yamamoto disse que o Japão teria seis meses de vantagem para conquistar o Pacífico antes que a máquina de guerra americana retornasse com fúria total, algo que realmente aconteceria em breve. Em Maio de 1942, Yamamoto sofreria sua maior derrota da guerra contra os americanos em Midway. Depois dessa derrota, Yamamoto sairia do comando naval e ficaria inspecionando as principais bases japonesas para ver se estavam prontas para resistir aos americanos. Em 1943, após visitar a base de Rabaul, o comboio aéreo de Yamamoto acabou sendo interceptado por caças americanos, que estavam participando de uma operação de vingança contra o almirante japonês, e morreu quando seu transporte foi abatido pelos caças inimigos. Com isso, os americanos vingavam o Dia de Infâmia que foi Pearl Harbor, a "obra-prima" de Yamamoto.
 
 
 
 
 

Minoru Genda - O Braço Direito de Yamamoto

 
Minoru Genda (1904-1989) foi um piloto de elite, oficial da marinha japonesa e depois político. Genda planejou com Yamamoto o ataque de Pearl Harbor e foi o oficial que coordenou os ataques aéreos contra a base americana. Era extremamente leal à Yamamoto e odiou as mudanças no plano original durante o ataque. Em Midway, Genda ajudou a comandar um dos quatro porta-aviões da frota japonesa, o Akagi, mas esse navio seria afundado por aviões americanos e Genda acabaria sendo evacuado. Depois dessa derrota, Genda foi enviado para o Japão com o intuito de criar um esquadrão de elite e superar os pilotos americanos. Seu novo esquadrão foi um sucesso e derrubou muitos aviões americanos até o fim da guerra. Foi contra a criação dos kamikazes (aviões suicidas). Depois da guerra, Genda entrou na vida política e acabou sendo eleito Chefe do Estado Maior da Força Aérea de Defesa Japonesa. Ficaria no cargo por quase 20 anos. Faleceria de causas naturais em 1989.
 
 
 
 
 

Mitsuo Fuchida - O Maior Piloto do Japão

 
Mitsuo Fuchida (1902-1976) foi um piloto de elite e oficial da Marinha Japonesa durante a Segunda Guerra. Fuchida liderou o primeiro ataque aéreo contra Pearl Harbor e também foi o piloto que gritou a famosa frase "Tora! Tora! Tora!", dando início ao ataque. Depois de Pearl Harbor, Fuchida liderou grandes ataques aéreos contra a Austrália e o Ceilão (atual Sri Lanka) e se tornou um grande herói para o Império Japonês. Porém, sua carreira acabaria durante a Batalha de Midway, onde seu avião seria abatido e Fuchida ficaria gravemente ferido em ambas as pernas. Após meses de recuperação, Fuchida foi enviado para trabalhar na parte administrativa do comando naval japonês e ficaria nesse cargo até o fim da guerra. Após o conflito, Fuchida se aposentadoria e viajaria para a Europa e depois os EUA, contando para curiosos sobre seus feitos na guerra. Se converteria ao cristianismo evangelista e moraria por alguns anos nos EUA. Mas, em 1976, Fuchida voltou para o Japão e acabou morrendo por problemas de diabetes. Escreveu alguns livros sobre o conflito e é considerado um herói nacional no Japão.
 
 
 
 
 

O Código Roxo - Decifrando o Código de Guerra Japonês

 

O Código Roxo foi uma máquina de criptografia usada pelos japoneses para enviar mensagens secretas durante suas operações militares e diplomáticas. Em Pearl Harbor, os japoneses estavam transmitindo para sua embaixada sobre o iminente ataque contra os EUA. O que os japoneses não sabiam era que os americanos já haviam quebrado o código e estavam monitorando a comunicação japonesa. Porém, os americanos demoraram muito para reagir e quando descobriram que Pearl Harbor seria o alvo, já era tarde demais. Mesmo depois do desastre em Pearl Harbor, os americanos continuaram a interceptar as mensagens japonesas e usar suas informações para derrotar os japoneses. Em 1944, depois de dois anos de derrotas seguidas, os japoneses descobriram que os americanos haviam quebrado o código e o modificaram. Os americanos tentariam quebrar esse código até o fim da guerra, mas acabaria sendo inútil, pois os japoneses ficavam mudando suas comunicações a cada hora. Depois da guerra, muitas dessas máquinas foram destruídas, mas outras foram para museus.
 
 
 

Coronel Bratton - O Homem que Descobriu o Plano Japonês

 
Rufus S. Bratton (1892-1958) foi um coronel do exército americano que decodificou o código japonês e descobriu o que planejavam fazer. Durante a crise diplomática entre americanos e japoneses, Bratton, que era responsável pelo departamento de inteligência do exército, ficou monitorando todas as comunicações dos japoneses. Em 7 de Dezembro, Bratton e sua equipe interceptaram uma transmissão japonesa que dizia que  um alvo americano seria atacado em breve. Bratton entrou em contato com o alto-comando e pediu para que todas as bases americanas no Pacífico ficassem de alerta e avisassem de qualquer ataque inimigo. Porém, o comando americano de Pearl Harbor estava sofrendo problemas de comunicação e demorou horas para saber do ataque japonês. Quando a messagem foi recebida, já era tarde demais e Pearl Harbor estava em chamas. Depois de Pearl Harbor, Bratton foi transferido para o setor de inteligência do Terceiro Exército Americano na campanha contra os alemães na Europa. Após a guerra, Bratton voltou para os EUA e morreu de causas naturais em 1958 no Havaí.
 
 
 
 

Almirante Kimmel - O Bode Espiatório para o Desastre de Pearl Harbor

 
Husband E. Kimmel (1882-1968) foi um almirante da Marinha Americana e comandante de Pearl Harbor durante o ataque. Kimmel era um grande líder militar, mas possuía pouca experiência em combate. Por causa de fortes influências no Congresso americano, Kimmel recebeu o comando naval do Pacífico em Pearl Harbor. Momentos antes do ataque, Kimmel estava aproveitando uma partida de golfe com amigos quando foi informado de um possível ataque japonês na ilha. Porém, a informação estava atrasada e quando decidiu colocar a base em alerta geral, já era tarde demais. Após o horrível ataque japonês, o Congresso americano queria por a culpa em alguém pelo desastre de Pearl Harbor. O escolhido para ser o bode espiatório da derrota americana foi Kimmel. Julgado e condenado por por mal comando e negligência, Kimmel perdeu o comando naval do Pacífico e foi colocado na posição de contra-almirante. Em 1942, sofrendo fortes pressões políticas, Kimmel anunciou sua retirada da marinha e decidiu comandar a frota mercantil de um amigo empresário. Após a guerra, Kimmel voltou para sua cidade natal e lá ficou até morrer de causas naturais em 1968. Até hoje sua família luta na justiça para que perdoem Kimmel pelos erros que cometeu, mas que eram inevitáveis.
 
 
 
 

General Short - O Segundo Culpado do Desastre de Pearl Harbor

 
Walter Short (1880-1949) foi um tenente-general do Exército Americano e responsável pelas defesas do Havaí. Porém, tais defesas estavam incompletas e despreparadas para o eventual ataque japonês. A principal falha de Short foi de não confiar no novo sistema de radares que havia sido instalado meses antes, pois tal sistema havia detectado a força japonesa. Short ordenou que ignorassem o radar, porque alguns aviões americanos estavam vindo do continente para a ilha. Outra falha foi a falta de munição das baterias antiaéreas que defendiam a base. Mas, o problema mais grave de Short foi, dias antes, ter ordenado que todos os 400 caças americanos ficassem fora dos hangares para facilitar a manutenção e mobilização da força no caso de um ataque. Quando os japoneses atacaram, destruíram quase todos esses aviões estacionados. Após Pearl Harbor, Short foi retirado do comando do Havaí e mandado de volta para os EUA. Lá, ele voltaria a ser major-general, mas sem comandar nenhuma unidade americana. Em 1942, Short saiu do exército e seguiu carreira no departamento de tráfego numa fábrica da Ford em Dallas, no Texas. Morreria de ataque cardíaco em 1949. Até hoje, sua família luta na justiça para que perdoem Short pelos erros que cometeu em Pearl Harbor.
 
 
 
 

Harold R. Stark - O "Braço Forte" da Marinha Americana

 
Harold R. Stark (1880-1972) foi um almirante americano e o homem responsável em planejar os primeiros ataques contra os japoneses após Pearl Harbor. Stark via o avanço japonês pela Ásia como uma enorme ameaça e apoiava a ideia de um ataque rápido e decisivo para tentar barrar os japoneses. Porém, ninguém deu bola para seus avisos e planos. Quando ocorreu o ataque em Pearl Harbor, Stark imediatemente reuniu seu comando naval e planejou os primeiros ataques contra os japoneses. Mas, o governo americano acabou o transferindo para o teatro Europeu para comandar as futuras operações navais na Europa. Foi o homem que comandou o famoso Dia-D na Normandia em 1944. Ao mesmo tempo, lutava para não ser culpado do desastre de Pearl Harbor, pois, o almirante Kimmel havia acusado Stark de não o ter avisado sobre os japoneses. Mas, após a guerra, nenhuma evidência apontava Stark como outro culpado de Pearl Harbor e foi inocentado. Em 1972, morreu de causas naturais na capital Washington D.C.. Até hoje seu nome é cercado de polêmica sobre o que aconteceu em Pearl Harbor.
 
 
 
 
 

George Marshall - O General do Presidente

 
George C. Marshall (1880-1959) foi um general e político americano que comandou todas as forças americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Logo após Pearl Harbor, Marshall estabeleceu, junto com o presidente americano, Roosevelt, um Estado Maior Unificado entre americanos e britânicos para derrotar as forças do Eixo. Dando prioridade na luta contra a Alemanha Nazista, Marshall ignorou a luta no Pacífico até o fim do conflito, recebendo fortes críticas dos generais que lutaram lá. Após a guerra e a morte de Roosevelt, que era um grande amigo, Marshall foi escolhido pelo novo presidente americano, Truman, para ser seu novo Secretário da  Defesa. Durante a Guerra Fria, Marshall deu apoio total aos chineses nacionalistas de Chiang Kai Shek e ajudou na evacuação destes para Taiwan após o fim da guerra civil chinesa. Depois, Marshall comandou as forças da ONU na luta contra os norte-coreanos e chineses na brutal Guerra da Coréia. Porém, após outro conflito que não deu resultados, Marshall abandonou a vida política e se aposentou. Morreu de causas naturais em Washington D.C..
 
 
 
 






O Ataque contra Pearl Harbor - O Dia da Infâmia

 
No dia 7 de Dezembro de 1941, os americanos iriam sofrer o pior ataque aéreo de toda a sua História. Uma enorme frota japonesa se posicionou ao norte do Havaí e lançou um imensa leva de aviões contra os americanos, que ainda acreditavam que estavam em paz. O resultado foi devastador. Quase toda a frota americana do Pacífico e 370 dos 400 aviões do exército foram destruídos e afundados num ataque que durou só algumas horas. As perdas foram enormes para os americanos, mas os japoneses perderam 9 aviões e 5 mini-submarinos (estes tentaram adentrar as docas da base, mas acabaram sendo afundados por um destroíer americano). Após o brutal ataque aéreo, as poucas defesas americanas que haviam sobrado, estavam preparadas para enfrentar o próximo ataque aéreo japonês. Alguns minutos após o primeiro ataque, uma segunda leva de aviões japoneses atacou Pearl Harbor. Mais estragos foram feitos contra as docas e campos aéreos. Porém, os americanos estavam mais bem preparados e conseguiram abater 20 aviões japoneses. Um terceiro ataque japonês já estava sendo preparado para finalizar com a base, mas o comandante japonês da frota decidiu cancela-lo. Mais de 3.000 militares e civis americanos foram mortos e feridos no ataque. Logo após esse dia, o presidente americano, Roosevelt, declarou por toda a nação que os EUA estava em guerra contra o Império Japonês.
 
 
 
 

Cordell Hull - O Homem que Pressionou Economicamente o Japão

 
 
Cordell Hull (1871-1955) foi um político americano e Secretário de Estado dos EUA durante o governo de Roosevelt. Assumiu o cargo de secretário em 1933 e no ano de 1941, Hull fez uma enorme pressão econômica contra o Japão, se este não saísse da China e da Indochina Francesa. Quando o Japão negou sair dessas regiões, Hull aconselhou o presidente a aplicar um imenso embargo econômico contra o Japão. Por causa desse embargo, foi que o Japão decidiu atacar os EUA. Em 1943, Hull e seus assessores criaram um documento que se transformaria na famosa Carta das Nações Unidas. Em 1944, Hull deixou o cargo de secretário por estar sofrendo de problemas de saúde. Em 1955, Hull sofreu um ataque cardíaco e morreu em casa na capital, Washington D.C..
 
 
 
 
 

Kichisaburo Nomura - O Embaixador Japonês que Tentou Impedir o Ataque

 
Kichisaburo Nomura (1877-1964) foi um diplomata japonês e embaixador do Japão nos EUA. Durante a crise política entre Japão e EUA, Nomura se encontrou várias vezes com Cordell Hull para solucionar a crise. Nomura foi contra o ataque à Pearl Harbor e ainda acreditava que havia uma saída diplomática entre ambas as nações. Porém, tudo mudou em 7 de Dezembro. Logo após o ataque, Nomura foi preso por ter conspirado contra os EUA, mas as investigações não revelaram a participação do embaixador no ataque. Em 1942, foi autorizado a voltar para o Japão. De volta ao seu lar, Nomura serviu como conselheiro do governo imperial até 1945. Após a guerra, Nomura trabalhou em algumas empresas como gerente e depois entrou na política japonesa em 1954. Ofereceram a ele o cargo de almirante das forças de defesa do Japão, mas negou ser um militar. Continuou na carreira política até sua morte em 1964.
 
 
 
 
 

Chuichi Nagumo - O Almirante que Comandou a Frota Japonesa contra Pearl Harbor

 
Chuichi Nagumo (1887-1944) foi um almirante japonês e o homem que comandou a frota japonesa contra Pearl Harbor. Em 1941, Nagumo foi escolhido para comandar a frota contra a base americana. Porém, Nagumo não possuía nenhuma experiência em ações aéreo-navais e isso acabou contribuindo com algumas decisões polêmicas durante o ataque.  No ataque, Nagumo acreditava que os americanos estavam acabados e cancelou o terceiro ataque aéreo, este atacaria os submarinos e depósitos de combustível, que acabaram sendo essenciais para a vitória americana no fim da guerra, e ordenou a retirada da frota para o Japão. Em 1942, Nagumo liderou ataques contra a Austrália e na Índia com grandes resultados. Mas, os sucessos de Nagumo chegaram ao fim na Batalha de Midway, onde os americanos derrotaram os japoneses e causaram enormes perdas navais ao Japão. Com essa horrível derrota, Nagumo seria retirado da frota principal e mandado para uma frota menor (Terceira Frota) no Pacífico Sul. Quando os americanos invadiram Guadalcanal, Nagumo tentou expulsa-los com grandes ataques navais, que resultaram em grandes vitórias táticas, mas nenhum resultado definido contra os americanos. Após a perda de Guadalcanal em 1943, Nagumo retornou para o Japão e ficou o resto do ano como instrutor naval. Mas, em 1944, a situação para o Japão estava ficando crítica e precisavam de todos os altos oficiais para comandar suas forças na luta contra o avanço americano. Nagumo foi despachado para comandar a enorme guarnição japonesa da ilha de Saipan, nas Marianas, mas ele não tinha nenhuma experiência em combates terrestres. Assim mesmo, a resistência japonesa foi feroz contra a invasão americana. Em julho, os americanos já se aproximavam do seu QG no norte da ilha e lá, Nagumo ordenou um último e suicida ataque contra os americanos. Enquanto seus soldados se preparavam para a última batalha na ilha, Nagumo cometeu suicídio na caverna onde estava escondido, para evitar que fosse capturado pelos americanos. Após a batalha, seus restos mortais seriam encontrados e enviados de volta para o Japão. É considerado um herói do Japão.
 
 
 

Bibliografia:



 





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Análise Histórica de "9o Pelotão"

 

9o Pelotão - Sacrifícios de uma Batalha Esquecida

 
O 9o Pelotão é um filme finlandês/russo/ucraniano de 2005, dirigido por Fyodor Bondarchuk (que também atua no filme) e estrelado por vários atores russos famosos como: Aleksei Chadov, Mikhail Yevlanov, Ivan Kokorin, Artyom Mikhalkov, Konstantin Kryukov, Artur Smolyaninov, Mikhail Porechenkov e Irina Rakhmanova. O filme conta a verdadeira história de um pelotão russo durante a invasão soviética no Afeganistão nos anos 1980, que ficou isolado pelos guerrilheiros locais e resistiu bravamente por várias horas até reforços chegarem. Mesmo sendo uma grande homenagem para esses soldados que morreram numa guerra que já estava perdida, o filme foi odiado pelos veteranos dessa guerra, mas amado pelo público, se tornando o filme mais famoso de toda a Rússia. O filme lembra bastante o filme americano "Apocalypse Now" (já analisado aqui no blog) falando sobre vários temas como o psicológico do soldado soviético num território desconhecido e um inimigo impossível de derrotar. O filme é bem pesado nas cenas de batalha e precisa ser visto com legendas, pois é totalmente falado em russo (aqueles que sabem a língua podem tentar ver sem as legendas). Um filme legal, mas não tão memorável quanto os outros já analisados neste blog. Recomendo para quem gosta do cinema russo ou que tenha curiosidades sobre esse filme.
 
 
 
 
 

O Exército Soviético nos Anos 1980

Com a Guerra Fria chegando aos seus últimos anos, a União Soviética foi modernizando seu exército contra os avanços tecnológicos dos EUA. O exército soviético continuava extremamente leal ao governo, era numeroso, bem treinado e muito bem equipado. Porém, as tropas soviéticas estavam sofrendo com o tédio e as poucas guerras que participaram. Porém, tudo mudou quando a União Soviética iniciou a invasão do Afeganistão. Muitos acreditavam que era o início da guerra contra os EUA. Milhares de soldados e tanques soviéticos foram enviados para a nação com o intuito de facilmente domina-la e abrir caminho para futuras conquistas. Mas, o que esses jovens soldados russos não esperavam era enfrentar um inimigo invisível e quase imbatível num dos terrenos mais perigosos do mundo.
 
 
 
 
 

Paraquedistas Soviéticos

 
A vanguarda da invasão soviética foram os vários batalhões de paraquedistas que atacavam os redutos dos rebeldes afegãos por todo o território inimigo. Altamente treinados para lutar em qualquer clima e terreno, os paraquedistas eram a elite do Exército Vermelho. Possuíam as melhores armas, veículos blindados e pesado apoio de helicópteros para subjugar seus adversários. Mesmo assim, tiveram grandes dificuldades para derrotar um inimigo que sabia o terreno e empregava táticas de guerrilha que poucos soviéticos sabiam enfrentar. Foi a unidade soviética que mais sofreu baixas durante toda a invasão.
 
 
 
 

A Invasão Soviética do Afeganistão



Iniciada em 1979, a invasão soviética tinha o objetivo de restaurar o antigo governo comunista afegão, que havia sido derrubado anos antes, e iniciar a conquista de toda a Ásia Central, para abrir caminho até as enormes reservas de petróleo que existiam no Oriente Médio. De início, a invasão foi rápida e precisa. Milhares de soldados, tanques, helicópteros e aviões entraram no Afeganistão e eliminaram as poucas tropas afegãs que tentaram enfrenta-los diretamente. Após a conquista de quase toda a nação, os soviéticos começaram a construir depósitos e bases aéreas para continuar com seus avanços para o Oriente Médio. Porém, vários grupos rebeldes afegãos surgiram, com apoio logístico dos EUA, e desafiaram o poder militar soviético. Mesmo lançando enormes ofensivas que causaram grande número de rebeldes e civis mortos, os soviéticos eram incapazes de derrotar esse inimigo que vivia nas montanhas do Afeganistão. Os anos se passavam e as perdas soviéticas só aumentavam. Em 1988, por causa da crise política e econômica que ocorria na URSS, o governo soviético ordenou a retirada de todas as suas tropas do território afegão. Em 1989, a "aventura soviética" havia acabado e o trauma de um "novo Vietnã" havia alcançado os soviéticos definitivamente.
 
 
 
 

A Operação Magistral

 
A Operação Magistral foi uma enorme ofensiva soviética com o objetivo de aliviar as tropas soviéticas que estavam cercadas na cidade de Khost pelos rebeldes afegãos. Começando em Novembro de 1987, os soviéticos, utilizando seus paraquedistas, limparam todas as montanhas, controladas pelos rebeldes, e abriram caminho para a passagem de Satukandav. Já no início de 1988, enfrentando uma forte resistência dos rebeldes, os soviéticos conquistaram a passagem e levantaram o cerco rebelde em Khost, evacuando a guarnição e aliviando a pressão rebelde na cidade ainda controlada por tropas afegãs leais aos soviéticos. O filme mostra uma parte dessa ofensiva quando os paraquedistas são ordenados a proteger um comboio que estava retirando as tropas soviéticas de Khost para Cabul.
 
 
 

A Batalha pela Colina 3234

Essa foi a última batalha entre soviéticos e afegãos. Tudo começou quando o alto-comando soviético recebeu ordens de iniciar a evacuação de suas tropas de todo o Afeganistão. Porém, uma pequena tropa de 39 homens, que defendia uma colina essencial para manter a estrada entre Khost e Cabul aberta, acabou não sendo avisada sobre a retirada. Do dia 7 até o dia 8 de Janeiro de 1988, mais de 400 afegãos atacaram essa posição. Os soviéticos lutaram desesperadamente pelo local e causaram enormes perdas aos rebeldes. Após 48 horas de intensos combates, os rebeldes recuaram quando reforços soviéticos chegaram ao local e salvaram os sobreviventes da tropa. Diferente do filme que mostra só um sobrevivente, na vida real somente 6 homens morreram e o resto ficou ferido até a chegada dos reforços. Assim mesmo, a parte final do filme se foca totalmente nessa batalha.
 
 
 
 

Os Mujahideen - Os Afegãos que Desafiaram a União Soviética

 
A palavra mujahideen significa guerrilha em árabe. E foi o que esses afegãos fizeram quando os soviéticos invadiram sua nação e derrubaram seu governo. Usando táticas de emboscadas e ataques rápidos contra bases pequenas, os mujahideen se mostraram grandes adversários contra um inimigo com tecnologia avançada e numeroso. A grande vantagem desses rebeldes foi o terreno montanhoso e caótico que domina quase todo o Afeganistão. De início, os mujahideen eram divididos em clãs que lutavam por suas terras. Mas, com o passar da guerra, esses clãs se uniram numa única força de resistência e conseguiram expulsar os soviéticos em 1989. Logo após isso, uma longa guerra civil dominaria o país entre os mujahideen e o governo afegão comunista que ainda controlava o país. Depois da queda do governo comunista, nos anos 1990, os mujahideen puderam criar um governo único, mas que seria derrubado novamente por uma nova guerra civil pelo grupo radical Talibã. Mas, isso é outra história para outro dia. Hoje em dia, muitos desses mujahideen são membros do atual governo afegão.
 
 

Bibliografia:

 







 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Análise Histórica de "A Batalha de Argel"

 

A Batalha de Argel - Um documentário sobre a Independência Argelina

 
A Batalha de Argel é um filme de guerra/documentário italiano/argelino de 1966, dirigido por Gillo Pontecorvo. O filme é estrelado por Brahim Hadjadj, Jean Martin e Yacef Saadi. A história se foca na luta argelina de se tornar independente do governo francês e como tais ações levaram ambos os países a se odiarem nos anos seguintes. Por ter sido feito quatro anos após a guerra, o filme acabou sendo proibido em quase o mundo inteiro, incluindo o Brasil. Mas, ganhou grande reconhecimento cinematográfico pelos temas ousados que usa para contar a história dos seus personagens. O filme é preto e branco e um pouco demorado antes do clímax. Mesmo assim, o filme é uma obra-prima do cinema italiano e recomendável para aqueles que são curiosos sobre filme e o porquê acabou sendo proibido naquela época.  
 
 
 

O Exército Francês na Argélia

 
Quando a França anexou a Argélia como parte de seu império, todas as tropas francesas já atuavam na região contra guerrilhas argelinas que queriam estabelecer sua própria nação. Durante o período da Revolução Argelina, o exército francês foi novamente enviado para esmagar os revoltosos. Porém, os soldados franceses não estavam preparados para enfrentar a ira de uma população pobre e desesperada por uma solução pacífica. As forças francesas atuaram com grande brutalidade na luta contra as milícias que lutavam por uma nação melhor. Ambos os lados sofreram grandes baixas, mas o exército francês finalmente seria derrotado e expulso da recém-criada nação em 1962.
 
 
 

Argélia Francesa - Uma Colônia Decadente e Problemática

 
Quando a Argélia foi invadida e anexada pelos franceses em 1847, vários problemas começaram a surgir que afetariam o governo francês até a independência dessa colônia. O principal problema era a falta de comunicação com as dezenas de tribos diferentes que viviam na Argélia. Mesmo que o governo francês empregasse uma educação obrigatória para essas tribos falarem a língua francesa, a maioria da população ainda via os franceses como invasores que precisavam ser expulsos de suas terras. Outro problema que afetaria ainda mais os franceses foram as várias revoltas que ocorreram no território contra a colonização francesa. Esses atos de resistência seriam o principal motivo de a população se revoltar contra os franceses, pois mostravam que esses colonos europeus podiam ser derrotados e expulsos. Outro detalhe era que após a Segunda Guerra Mundial, todas as outras colônias francesas da África haviam iniciado movimentos de independência contra a França, alguns violentos, outros mais pacíficos, enquanto a Argélia ainda se mantinha "leal" diante de seus mestres franceses. Por causa disso, a economia da colônia seria fraca e quase toda a sua população de origem africana e árabe seria pobre, piorando ainda mais os outros problemas da colônia.
 
 
 

A Frente de Libertação Nacional (FLN)

 

A Frente de Libertação Nacional ou FLN foi um grupo político que queria o fim da colonização francesa na Argélia e o reconhecimento de seu país na ONU. De início, o grupo tentou a diplomacia para negociar com o governo francês. Porém, os franceses negaram qualquer acordo e declararam o grupo ilegal. Não tendo outra alternativa, o grupo político se expandiu e pegou em armas contra os colonizadores franceses. Quando estorou a Revolução Argelina, a FLN usava violentas táticas emboscada contra os distritos franceses da capital Argel. Em retaliação, os franceses invadiram os distritos argelinos e caçaram por quase um ano inteiro os líderes do grupo. Após intensos combates urbanos, a FLN acabou sendo expulsa de Argel e boa parte de seus líderes foi capturada ou morta. O que restou da FLN fugiu para o interior, onde resisitiu pelo resto da guerra até a retirada francesa da colônia. Após a revolução, a Argélia seria reconhecida pela ONU e a FLN formaria por muitos anos o primeiro governo totalmente argelino. Esse grupo político existe até hoje na forma de um partido.
 
 
 
 
 

A Guerra de Independência Argelina ou a Revolução Argelina

 
A Revolução Argelina foi uma longa guerra civil (durou 7 anos, de 1954 até 1962) entre o grupo político-militar FLN e o governo francês. De início, os franceses tinham a vantagem sobre a FLN. Possuíam mais homens, tanques e muitos de seus soldados foram veteranos da Segunda Guerra e sabiam usar táticas de guerrilha. Já a FLN era formada por políticos, civis voluntários e fazendeiros que queriam o fim da colonização francesa e a criação de uma nação só argelina. Possuíam poucas armas ou treinamento adequado, mas empregaram ousados ataques de emboscada contra civis franceses. A guerra se focou principalmente na capital, Argel. Mas, quando quase toda a FLN foi destruída e expulsa da capital, seus sobreviventes recuaram para o interior desértico e montanhoso para continuar a resistir aos franceses e construir um exército. O resto da guerra continuou no interior da Argélia, onde um enorme impasse acabou acontecendo e ninguém conseguia obter uma vitória decisiva. Quando parecia que a FLN finalmente desistiria da luta, uma revolta popular atingiu a capital Argel e surpreendeu o governo francês. Este, despreparado contra uma revolta desse tipo, ordenou a retirada imediata de suas tropas e civis de origem francesa. Para piorar, a ONU e outras nações aliadas da França começaram a receber horríveis notícias de crimes de guerra que os franceses estavam promovendo pela Argélia. Em 1962, os franceses evacuaram todos os seus militares e civis e sobre forte pressão da ONU, teve que reconhecer a independência de sua última colônia que tinha na África. Essa derrota francesa também levou a queda do governo do general De Gaulle (a queda ocorreu em 1958).
 
 
 
 
 

Os Paraquedistas Franceses - A Elite do Exército Francês

 
Criados após a Segunda Guerra Mundial, os paraquedistas franceses eram homens bem treinados, equipados e leais ao governo francês. Quando a polícia colonial francesa estava sendo humilhada pelos ataques da FLN, o governo despachou dezenas de batalhões desses soldados de elite para lidar com esse grupo político que planejava desestabilizar as forças francesas na Argélia. Usando táticas de guerrilha, esses paraquedistas quase destruíram a FLN em Argel. Porém, quando seus homens começaram a enfrentar um inimigo que conhecia o terreno desértico, aí as coisas pioraram. Mesmo após a derrota da França na guerra de independência, muitos paraquedistas saíram preparados para futuras revoltas que ainda pudessem ocorrer em suas poucas colônias pelo mundo.
 
 
 

Bibliografia: